quinta-feira, 26 de maio de 2005

A Arca de Noé

Esta é a versão mais resumida que recebi sobre A Arca de Noé e refere-se às dificuldades que Noé enfrentaria para construir uma Arca no Brasil.


O fim do mundo


Um dia o Senhor chamou Noé da Silva e ordenou-lhe: Dentro de de seis meses, farei chover durante 40 dias e 40 noites, até que todo o Brasil seja coberto pelas águas. Os maus serão destruídos, mas quero salvar os justos e um casal de cada espécie animal.  Vai e constrói uma arca de madeira.


No tempo certo os trovões deram o aviso e os relâmpagos cruzaram o céu.


Noé da Silva chorava, ajoelhado no quintal de sua casa, quando ouviu a voz do Senhor soar, furiosa, entre as nuvens:


-- Onde está a arca, Noé?


--Perdoe-me Senhor - suplicou o homem.  Fiz o que pude, mas encontrei dificuldades imensas.  Primeiro tentei obter licença da Prefeitura, mas para isto, além das altas taxas para obter o alvará, me pediram ainda uma contribuição para a campanha do prefeito à reeleição.


--Precisando de de dinheiro, fui aos bancos e não consegui empréstimos, mesmo aceitando aquelas taxas de juros.  Afinal, nem teriam mesmo como me cobrar depois do dilúvio.


-- O Corpo de Bombeiros exigiu um sistema de prevenção de incêndio, mas consegui contornar, subornando um funcionário.


-- Começaram então os problemas com o Ibama para extração da madeira. Eu disse que eram ordens Suas mas eles só queriam saber se eu tinha projeto de reflorestamento e um tal de plano de manejo.  Neste meio tempo, o Ibama descobriu também uns casais de animais guardados no meu quintal.  Além de pesada multa, o fiscal falou em prisão inafiançável e eu acabei tendo que matar o fiscal, pois para este crime a lei é mais branda.


-- Quando resolvi começar a obra na raça,apareceu o CREA e me multou porque eu não tinha engenheiro naval responsável pela construção.


-- Depois apareceu o Sindicato exigindo que eu contratasse seus marceneiros com garantia de emprego por um ano.


-- Veio em seguida a Receita Federal, falando em sinais exteriores de riqueza e também me multou.


-- Finalmente, quando a Secretaria de Meio Ambiente pediu o Relatório de Impacto Ambiental sobre a zona a ser inundada, mostrei o mapa do Brasil.  Aí quiseram me internar num hospital psiquiátrico!


Noé da Silva terminou o relato chorando mas notou que o céu clareava.


-- Senhor, então não irás mais destruir o Brasil?


-- Não respondeu a voz entre as nuvens.


-- Pelo que ouvi de ti, Noé, cheguei tarde! Alguém já se encarregou de fazer isso!


oooooOOOOOooooo


Isso é uma amostra do que acontece com qualquer empreendimento no Brasil.. É verdade ou não é?

quarta-feira, 11 de maio de 2005

Para quem é pai/mãe e para aqueles que o serão...

Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos seus próprios filhos. É que as crianças crescem independentes de nós, como árvores tagarelas e passáros estabanados. Crescem sem pedir licença à vida.Crescem com uma estridência alegre e, às vezes, com alardeada arrogância. Mas não crescem todos os dias de igual maneira. Crescem de repente.


Um dia sentam-se perto de você no terraço e dizem uma frase com tal maturidade que você sente que não pode mais trocar as fraldas daquela criatura.  Onde é que andou crescendo aquela danadinha que você não percebeu? Cadê a pazinha de brincar na areia, as festinhas de aniversário com palhaços e o primeiro uniforme do Maternal? A criança está crescendo num ritual de obediência orgânica e desobediência civil. E você está agora ali, na porta da discoteca esperando que ela não apenas cresça, mas apareça.  Ali estão muitos pais no volante, esperando que eles saiam esfuziantes sobre patins e cabelos longos, soltos.  Entre hambúrgueres e refrigerantes nas esquinas, lá estão nossos filhos com o uniforme de sua geração; incômodas mochilas da moda nos ombros.  Ali estamos, com os cabelos esbranquiçados.  Esses são os filhos que conseguimos gerar e amar, apesar dos golpes dos ventos, das colheitas, das notícias, e da ditadura das horas. E eles crescem meio amestrados, observando e aprendendo com nossos acertos e erros. Principalmente com os erros que esperamos que não repitam.


Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos. Não mais os pegaremos nas portas das discotecas e das festas. Passou o tempo do ballet, do inglês, da natação e do judô. Saíram do banco de trás e passaram para o volante de suas próprias vidas. Deveríamos ter ido mais à cama deles ao anoitecer para ouvir sua alma respirando conversas e confidências entre os lençóis da infância, e os adolescentes cobertores daquele quarto cheio de adesivos, pôsteres, agendas coloridas e discos ensurdecedores. Não os levamos suficientemente ao Playcenter, ao Shopping, não lhes demos suficientes hambúrgueres e cocas, não lhes compramos todos os sorvetes e roupas que gostaríamos de ter comprado,  Eles creceram sem que esgotássemos neles todo o nosso afeto.


No princípio subiam a serra ou iam à casa de praia entre embrulhos, bolachas, engarrafamentos, natais, páscoas e amiguinhos.


Sim, havia brigas dentro do carro, a disputa pela janela, os pedidos de chicletes e cantorias sem fim. Depois chegou o tempo em que viajar com os pais começou a ser um esforço, um sofrimento, pois era impossível deixar a turma e os primeiros namorados.


Os pais foram exilados dos filhos. Tinham a solidão que sempre desejaram, mas, de repente, morriam de saudades daquelas "pestes".  Chega o momento em que só nos resta ficar de longe torcendo e rezando muito (nessa hora, se a gente tinha desaprendido, reaprende a rezar.para que eles acertem nas escolhas em busca da felicidade. E que a conquistem de modo mais completo possível. O jeito é esperar: qualquer hora podem nos dar netos. O neto é a hora do carinho ocioso e estocado, não exercido nos próprios filhos e que não pode morrer conosco.  Por isso os avós são tão desmesurados e distribuem tão incontrolável carinho. Os netos são a última oportunidade de reeditar o nosso afeto.  Por isso é necessário fazer alguma coisa a mais, antes que eles cresçam.


"Aprendemos a ser filhos depois que somos pais. Só aprendemos a ser pais depois que somos avós..."


Autor: Affonso Romano de Sant'Anna

A CRIANÇA E DEUS

Uma criança pronta para nascer perguntou a Deus:


      Dizem que estou sendo enviado à Terra amanhã... como eu vou viver lá, sendo assim, pequeno e indefeso?


E Deus respondeu:


      Entre muitos anjos, eu escolhi um especial para você...Estará lhe esperando e tomará conta de você.


      Mas diga-me, aqui no céu não faço nada a não ser cantar e sorrir, o que é suficiente para que seja feliz.  Serei feliz lá?


      Seu anjo cantará e sorrirá para você a cada dia, a cada instante você sentirá o amor de seu anjo e será feliz.


      Como poderei entender quando falarem comigo, se eu não conheço a língua que as pessoas falam?


      Com muita paciência e carinho seu anjo lhe ensinará a falar.


      E o que farei quando quiser Te falar?


      Seu anjo juntará suas mãos e lhe ensinará a orar.


     Eu ouvi que na Terra há homens maus!  Quem me protegerá?


      Seu anjo lhe defenderá mesmo que signifique sua própria vida.


      Mas eu serei triste porque não Te verei mais.


      Seu anjo sempre falará sobre mim e eu estarei sempre dentro de você.


      (Neste momento havia muita paz no céu, mas vozes na Terra já podiam ser ouvidas). A criança, apressada, pediu suavemente:


      Oh! Deus, se estiver a ponto de ir agora diga-me por favor o nome do meu anjo.


      Você chamará seu anjo de... Mãe


 


Desconheço o autor.  Se alguém souber, por favor me comunique


 

sexta-feira, 6 de maio de 2005

Traseiros - O que fazer com eles


Vale a pena ler a crônica de João Ubaldo Ribeiro, publicado no "O Globo" de 1º de maio, sob o título "Então fica combinado assim". Para os que não a leram separamos o trecho final, no qual ele fala dos traseiros dos brasileiros que o presidente mencionou recentemente em discurso.