domingo, 1 de junho de 2008

A Virgem (sueca), o Diplomata e o Comandante.

Conta-nos um ex-Adido Naval Brasileiro na Suécia que, durante um almoço na embaixada, o anfitrião perguntou se saberia responder qual a diferença entre a virgem, o diplomata e o comandante, referindo-se, naturalmente, a uma virgem sueca.  Diante de uma resposta negativa ele continuou:
-- A virgem, se diz NÃO, significa TALVEZ: se diz TALVEZ, significa SIM:  e se diz sim, SIM, não é virgem. O diplomata, se diz SIM, significa TALVEZ; se diz TALVEZ, significa NÃO; se diz NÃO, não é diplomata. E o comandante se diz SIM, significa SIM; se diz NÃO, significa NÃO; se diz TALVEZ, não é comandante.
Sábia filosófia nórdica.
     Ressalvado meu desconhecimento quanto ao comportamento das virgens suecas, no tocante aos diplomatas tenho uma vasta experiência adquirida em reuniões que freqüentei em vinhos de honra e recepções em embaixadas de Brasília. Quanto às definições pelo SIM e pelo NÃO já faziam parte do meu dia-a-dia desde que ingressei no corpo de saúde da Marinha, como uma das poucas opções para admissão ao serviço público sem depender de indicações.
     Vejo os diplomatas como indivíduos dotados de rara intuição e destreza de raciocínio, capazes de com uma frase decidir uma disputa, definir uma situação ou evitar uma guerra. Em 1982 no escritório da Varig em Tóquio tive a satisfação de conhecer o embaixador do Brasil pessoalmente e, ao saber que também era formado em Medicina, disse-lhe que a satisfação era dupla: em conhecê-lo e em saber que ele era meu colega. Percebendo o erro em que tinha incorrido, retifiquei em seguida: ..... em saber que eu era seu colega.  Ao que ele, diplomaticamente, retrucou: ... em saber que somos colegas.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Monarquia x República

       Há alguns anos tivemos um plebiscito pra que o povo se manifestasse pro ou contra o retorno da Monarquia. Uma intensa campanha do Tribunal Eleitoral procurou esclarecer o que significaria o retorno ao regime monárquico onde o rei governava por toda a vida e a substituição era feita dentro de uma linha sucessória familiar.  Na ocasião pensei muito nas vantagens de nos transformarmos na única monarquia do continente americano, não daquele tipo de monarquia absoluta em que o “Estado sou eu”.  Absolutismo por absolutismo já temos o rei, com perdão da palavra, Lula, governando por medidas provisórias e sonhando perpetuar-se no poder ao estilo do seu guru Chavez, o bolivariano.  O Luís Inácio leva todo o jeito de um Luís XIV e já o vejo proclamando alto e bom som: “O Estado é eu”, numa manifestação tupiniquim do absolutismo caboclo.

      Pensei na monarquia parlamentarista ao estilo britânico e espanhol, onde o rei ou rainha reinam, mas não governam.   Já que vivemos num festival de gastança, porque não financiarmos a implantação dessa modalidade de governo estilo light.  Garanto que as despesas com a manutenção da família real não ultrapassariam 10% da arrecadação da CPMF,  ainda mais que todas as terras de Petrópolis são propriedades dos Orleans e Bragança que recebem anualmente o foro pago pelos atuais ocupantes e o laudêmio quando os terrenos e imóveis mudam  de dono.

      Embora tivesse à última hora votado contra o retorno da monarquia, passei a pesquisar minha ascendência genealógica, ou ginecológica (dá no mesmo),  e descobri que meu bisavós maternos (Smith) vieram da Inglaterra e se fixaram em São Luís – MA.  Tratei ainda de conhecer meu brasão de armas, que corroborando minha linhagem nobre contém a flor de Lys.  Se a monarquia tivesse merecido o sufrágio popular, a esta altura estaria agraciado com um título nobiliárquico de barão ou visconde de Mossoró (minha cidade natal).

      Acho que faltou um pouco de marketing para explicar os dois regimes, tal como fez um matuto no seguinte diálogo:

--:Oi compadre você entende bem qual a diferença entre Monarquia e República.

-- Pra mim isto o mesmo que engordar porco.

-- Como assim.

-- Na Monarquia você pega um porco magro e coloca no chiqueiro e dá muita comida pra ele todos os dias (milho, farelo, restos de comida....).  Depois de algum tempo ele fica gordo, pesado e já não come tanto como no início.  Basta uma ou outra espiga de milho e sobras da comida para saciar o apetite.  Na República você coloca um porco magro no chiqueiro e gasta muito milho e farelo até ele engordar.  Quando ele fica gordo você tira ele do cercado e coloca outro porco magro para engordar.  Aí você tira o porco gordo e coloca outro magro...

-- Peraí compadre.  Assim não há milho que agüente.

Respondeu então o que estava explicando:

-- Vejo que você entendeu a diferença.

oooooOOOOOooooo

                                                                   William Serra  -  maio 2008                                                 


segunda-feira, 21 de abril de 2008

Secretárias... Oh my God!


   Tenho grande admiração pelas secretárias, especialmente as que trabalharam comigo quando, por questões de carreira, tive que assumir cargos administrativos da área médica de alguns hospitais, no final de minha carreira. Guardo de todas elas recordações de eficiência, discrição, dinamismo, desprendimento quanto a horários de trabalho e dedicação.
   Muitos não imaginam o que era datilografar um relatório antes das máquinas eletrônicas e do computador. Qualquer correção ou modificação do texto implicava em rebater páginas e mais páginas do trabalho. Fazer ligações telefônicas era uma tortura porque perdiam-se minutos preciosos esperando ruído para tentar completar uma ligação.
        Havia também um lado pitoresco cujos episódios colecionei ao longo dos anos e que relato a seguir:
         Tinha o hábito de, antes de sair de casa para o trabalho ou telefonar de qualquer lugar, identificar-me dizendo para a secretária:
-- D. Rosilda (o nome é fictício) aqui está falando Dr. Serra....
Mais de uma vez ela respondia, antes que eu completasse o que pretendia falar:
-- Dr. Serra ainda não chegou.
Eu então dizia, contendo a irritação com a falta de atenção:
-- É claro D. Rosilda que ele ainda não deve ter chegado ao hospital porque neste momento ele está falando com a sra, para dizer que está saindo de casa e chegará dentro de 15 minutos.
        Fazia parte da rotina do hospital, uma reunião mensal do conselho econômico para acompanhar a execução orçamentária e registrar em ata as receitas e despesas programadas.
         Tais reuniões eram presididas pelo diretor que se fazia acompanhar de sua secretária  para redigir as atas, ficando esta sentada próximo a ele, na cabeceira da mesa. Numa dessas reuniões o diretor deu conhecimento ter recebido da Receita Federal, como doação, dois aparelhos de ar condicionado e vinte cassetes, provenientes de apreensões da Alfândega, mercadorias que seriam incorporadas ao patrimônio do hospital de acordo com as normas. Acompanhando pelo olhar vi que a secretária havia grafado “cacetes” ao invés de cassetes (fita para gravação de áudio). Discretamente, de modo que só ela ouvisse, falei: D. Rosilda. Preste atenção no que a senhora está escrevendo. Acho que a senhora está se deixando trair pelos seus pensamentos. Tratando-se de uma pessoa muito recatada, solteirona convicta, ela pareceu, ou não quis entender a minha observação. Ao final da reunião ela veio me procurar para que explicasse o que eu tinha dito porque ela não entendera muito bem. A essa altura só me restou dizer que não tinha importância nenhuma e fiquei pensando com os meus botões que era melhor que os "cacetes" ficassem guardados na ata, do que vagando no pensamento da minha secretária.
Publicado no Blog de William Serra em
http://www.globoonliners.com.br