Tenho grande admiração pelas secretárias, especialmente as que trabalharam comigo quando, por questões de carreira, tive que assumir cargos administrativos da área médica de alguns hospitais, no final de minha carreira. Guardo de todas elas recordações de eficiência, discrição, dinamismo, desprendimento quanto a horários de trabalho e dedicação.
Muitos não imaginam o que era datilografar um relatório antes das máquinas eletrônicas e do computador. Qualquer correção ou modificação do texto implicava em rebater páginas e mais páginas do trabalho. Fazer ligações telefônicas era uma tortura porque perdiam-se minutos preciosos esperando ruído para tentar completar uma ligação.
Havia também um lado pitoresco cujos episódios colecionei ao longo dos anos e que relato a seguir:
-- D. Rosilda (o nome é fictício) aqui está falando Dr. Serra....
Mais de uma vez ela respondia, antes que eu completasse o que pretendia falar:
-- Dr. Serra ainda não chegou.
Eu então dizia, contendo a irritação com a falta de atenção:
-- É claro D. Rosilda que ele ainda não deve ter chegado ao hospital porque neste momento ele está falando com a sra, para dizer que está saindo de casa e chegará dentro de 15 minutos.
Tais reuniões eram presididas pelo diretor que se fazia acompanhar de sua secretária para redigir as atas, ficando esta sentada próximo a ele, na cabeceira da mesa. Numa dessas reuniões o diretor deu conhecimento ter recebido da Receita Federal, como doação, dois aparelhos de ar condicionado e vinte cassetes, provenientes de apreensões da Alfândega, mercadorias que seriam incorporadas ao patrimônio do hospital de acordo com as normas. Acompanhando pelo olhar vi que a secretária havia grafado “cacetes” ao invés de cassetes (fita para gravação de áudio). Discretamente, de modo que só ela ouvisse, falei: D. Rosilda. Preste atenção no que a senhora está escrevendo. Acho que a senhora está se deixando trair pelos seus pensamentos. Tratando-se de uma pessoa muito recatada, solteirona convicta, ela pareceu, ou não quis entender a minha observação. Ao final da reunião ela veio me procurar para que explicasse o que eu tinha dito porque ela não entendera muito bem. A essa altura só me restou dizer que não tinha importância nenhuma e fiquei pensando com os meus botões que era melhor que os "cacetes" ficassem guardados na ata, do que vagando no pensamento da minha secretária.

kkkkkkkkkk
ResponderExcluirSe todos tivessem uma D. Rosilda como secretária, o dia de trabalho ficaria muito melhor....
Beijos William
Muito bom! Em todas os campos profissionais encontramos outras pessoas como D. Rosilda.
ResponderExcluirAbraços
Excelente querido William
ResponderExcluirVc escreve super bem!!!!!
Beijooss
Mas deixe a D. Rosilda trabalhar!
ResponderExcluir:-P
D. Rosilda veio com a mobília do gabinete do diretor que me antecedeu. Era excelente "relações públicas". Estava radicada em Brasília há muitos anos e continuou como secretária do diretor que me sucedeu.
ResponderExcluirBeijos.
Olá cara amiga Ilce.
ResponderExcluirÉ um prazer receber sua visita e ler seu comentário.
Muito bem lembrada a existência de D.Rosilda em todas as atividades profissionais e, por conseqüência, inúmeros "causos" iguais a este.
Um abraço.
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
ResponderExcluirEssas secretárias..rs
Eu sou uma delas..kkkkkk
Parabéns pelo post.
Essa crõnica deveria sair em algum jornal no dia da secretária. É muito boa (a crônica !!!)
ResponderExcluirOlá querida amiga Scylla.
ResponderExcluirQue bom você ter gostado de minha despretensiosa crônica.
A coisa começou quando estive procurando o blog do meu filho no
http:/www.globoonliners.com.br
Clica daqui, clica dali e quando dei por mim tinha criado um blog (Blog de William Serra).
Decidi então escrever algumas crônicas relatando fatos ocorridos na vida real, ao longo da minha carreira de médico e de militar.
Beijos
E fez muito bem querido William.. Vc escreve de um jeito que a gente não consegue parar de ler até o fim.... Isso é um dom!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
ResponderExcluirVc consegue o dom do entretenimento e isso já é um sinal de que tem o poder da escrita!!!
Sou sua fã de carteirinha!!!!Beijooooss e beijoosssss
Amigo Nelsonho
ResponderExcluirD. Rosilda foi nossa colaboradora por dois anos e depois que voltamos para o Rio continuamos trocando mensagens por ocasião dos nossos aniversários, das comemorações natalinas e de ano novo. Durante minha gestão consegui realizar um de seus desejos, disponibilizando para seu serviço uma máquina de escrever IBM com cabeças de impressão intercambiáveis, fitas corrígível e corretiva, top de linha para a época.
Abraços.
Olá Sulange
ResponderExcluirPela risada gostosa vi que gostou de D. Rosilda.
Rendo homenagem a você por se identificar com a classe.
Obrigado pelo comentário.
Beijos
Meu caro Ivan.
ResponderExcluirPublicar em jornal no "Dia da Secretária"? Não devo correr o risco. Já estou vendo o protesto do Sindicato das Secretarias, ao qual devem estar filiadas secretárias-executivas de grandes empresas nacionais e multinacionais, disputadas a peso de ouro.
Quando fui nomeado procurei saber do meu antecessor se devia indicar uma secretária do Rio. O colega teceu muitos elogios e me convenceu a ficar com a "prata da casa" referindo-se à secretária e ao seu motorista. Ao assumir o cargo compreendi o motivo da recomendação. Ambos era dedicados, conheciam a rotina do hospital e a maior parte da clientela. A diferença entre eles ficava por conta do processamento e compreensão das ordens. O motorista era dinâmico e advinhava o que eu desejava, além de ter mais agilidade no raciocínio. Resumindo: Conforme o anúncio, D. Rosilda não chegava a ser uma "Brastemp". O motorista, militar subalterno, foi um auxiliar inestimável durante os meus dois anos de comissão. Prova do seu valor foi ter feito um curso superior, dado baixa da Marinha e ocupar atualmente cargo executivo num Ministério, com gabinete, secretária e telefone, sem precisar de recomendação nem se prevalecer de cotas devido a cor da pele.
Esse motorista, que chamarei de Vicente, ao ler minha crônica passou um e-mail dizendo:
"Chefe, eu conheço a figura e dei boas risadas."
Querida Scylla
ResponderExcluirSaudades dos encontros do nosso grupo onde, num papo informal, púnhamos os assuntos em dia ou jogávamos conversa fora. Gostei de ver a última comemoração a que você compareceu e postou as fotos aqui no multiply. Você estava muito bem. Quando você voltou para a zona sul? E o filhote já teve alta ambulatorial? Daquela confraternização na Cobal do Leblon restou esta amizade sincera que faço questão de preservar.
Quanto às apreciações ao meu estilo de escrever, muito me envaidece sua opinião. A crônica é, talvez, o gênero literário mais fácil porque é um relato de fatos vividos. Há que se tomar cuidado para que não seja muito extensa, nem repetitiva. Mais uma vez agradeço a colaboração de todos os que participaram com comentários e palavras de estímulo.
Para você cara Scylla, como diria nossa amiga comum Ashera,
Uma cascata de beijos.
William querido, adorei a cascata de beijossss.. Falando nisso cadê nossa amiga Ashera????
ResponderExcluirHá tempos não a vejo por aqui!!
Tava bem na hora mesmo de marcarmos outro encontro, né????
Saudadesss e precisamos colocar os papos em dia amigo querido William
Beijoooss e mais beijooosssssssssss
P.S. Meu filhote está ótimo hoje.. Graças a Deus!!! Agradeço todos os dias de vê-lo tão bem!!!
Beijoooss e obrigadaaaaaaaaaaaa