Sistema métrico popular (SMP)
A população do país, naturais e agregados, consomem uma
linguagem própria cheia de gírias consagradas.
A
grande força da criação, no campo da inteligência abstrata , é o Sistema Métrico
Popular (SMP) um elenco de medidas e indicadores não tangíveis, firmados pelo
uso popular que expressam com exatidão o que representam. O SMP, que usaremos em nossas estórias, é
constituído por medidas de quantidade, grandeza e intensidade.
De
quantidade temos os múltiplos: porrada, porrão, porrilhão, baba, cacetada,
cacetão e carvalhão, etc: os submúltiplos: merreca, merrequinha, porrinha,
merdinha, titiquinha, pentelésimo, culhonésimo, etc.
Assim
podemos ter: um porrão de dinheiro, uma porrada de coisas, um porrilhão de dívidas,
um culhão de deveres, uma cacetada de parentes. Ou ainda: um pentelésimo de
tempo e até garantem que um culhonésimo de tempo é aquele que se passa entre o
abrir o sinal de trânsito e o babaca de carro de trás buzinar.
Como
medidas de intensidade e/ou grandeza podemos citar, cavalar, cachorra, burral,
puta, federal, etc.
Então
podemos ter uma puta dor de cabeça, um gripe federal, uma dor de dente
cachorra, uma cavalar gonorréia, ou também, uma sorte cachorra, uma burral
enxaqueca, uma puta divida externa, uma dureza federal e outras combinações.
As
diferenças e equivalências ficam perfeitamente definidas: uma porrada equivale
a uma cacetada, um porrão é igual um cacetão, menos que um porrilhão que é
menor que um culhão. ou um carvalhão
Uma
porrinha equivale a uma merdinha ou ainda a uma titiquinha, maiores que um
pentelésimo ou um culhonésimo.
Existem
ainda algumas medidas comparativas como: porra nenhuma, merda nenhuma, xongas
ou nada; paca ou praca, pra xuxu, pra cachorro, pra cacete, ou muito. Pode-se
então.ouvir: chove pra cachorro, caro praca, doente paca, difícil pra carvalho,
grande pra cacete, chato pra xuxu, murrinha paca.
É
preciso não confundir o uso das medidas com as situações em que poderão ter
outros significados específicos e que não têm merda nenhuma com o SMP.
Conta-se
a estória daquele paciente cujo exame de impotência deu positivo, mas saiu todo
satisfeito quando médico lhe disse que ele não tinha "porra nenhuma".
Ou o caso da prisão de ventre crônica daquele glutão que comia uma porção de
coisas e não cagava "merda nenhuma"..
Extraído do folheto "AS ZEZÉQUIAS (O enterro da lógica)" de
NEYMAR MONTE.