Conta-nos um ex-Adido Naval Brasileiro na Suécia que, durante um almoço na embaixada, o anfitrião perguntou se saberia responder qual a diferença entre a virgem, o diplomata e o comandante, referindo-se, naturalmente, a uma virgem sueca. Diante de uma resposta negativa ele continuou:
-- A virgem, se diz NÃO, significa TALVEZ: se diz TALVEZ, significa SIM: e se diz sim, SIM, não é virgem. O diplomata, se diz SIM, significa TALVEZ; se diz TALVEZ, significa NÃO; se diz NÃO, não é diplomata. E o comandante se diz SIM, significa SIM; se diz NÃO, significa NÃO; se diz TALVEZ, não é comandante.
Sábia filosófia nórdica.
Ressalvado meu desconhecimento quanto ao comportamento das virgens suecas, no tocante aos diplomatas tenho uma vasta experiência adquirida em reuniões que freqüentei em vinhos de honra e recepções em embaixadas de Brasília. Quanto às definições pelo SIM e pelo NÃO já faziam parte do meu dia-a-dia desde que ingressei no corpo de saúde da Marinha, como uma das poucas opções para admissão ao serviço público sem depender de indicações.
Vejo os diplomatas como indivíduos dotados de rara intuição e destreza de raciocínio, capazes de com uma frase decidir uma disputa, definir uma situação ou evitar uma guerra. Em 1982 no escritório da Varig em Tóquio tive a satisfação de conhecer o embaixador do Brasil pessoalmente e, ao saber que também era formado em Medicina, disse-lhe que a satisfação era dupla: em conhecê-lo e em saber que ele era meu colega. Percebendo o erro em que tinha incorrido, retifiquei em seguida: ..... em saber que eu era seu colega. Ao que ele, diplomaticamente, retrucou: ... em saber que somos colegas.